O que podemos extrair da CORONVAC para o Marketing Político

Observando o desenrolar da novela CORONAVAC  e sua autorização emergencial para o inicio da Campanha de Vacinação no Brasil. É importante salientar que nós últimos 12 meses, os Polos Conflitantes na Política Nacional, não tem como protagonista em uma das pontas o Partido dos Trabalhadores, e sim o vencedor do último pleito, o presidente Jair Bolsonaro contra o governador de São Paulo, o tucano Joao Doria.

Os agentes políticos só se sobrevivem através de fatos, de apostas e de demarcações de espaço. Nestes últimos meses vivenciamos um verdadeiro jogo de xadrez com apostas altas de ambos os lados.

Por um lado, temos o presidente que desde o início APOSTOU ALTO em pequenos estragos provocados pela pandemia tendo como padrinho político Donald Trump e amparado em toda a sua rede bolsonarista muito bem articulada na internet.

Em todo o período ele tinha dois pontos de ancoragem, um econômico, tentado manter o apoio dos grandes financistas em seu governo. E o outro ideológico, fortalecendo o discurso do presidente americano contra os chineses.

Para justificar e fortalecer o seu discurso, marcando espaço com seus apoiadores levantou a BANDEIRA do tratamento precoce. Ai veio a primeira aposta do presidente, e que se tivesse acertado com certeza teria quase que certa a sua vitória nas próximas eleições de maneira esmagadora. Que foi a aposta no tratamento com CLOROQUINA. Enquanto pouco se sabia da doença, e tinha uma serie de especulações no mundo científico, e uma delas era o tratamento combinado com a Cloroquina, o presidente e sua turma apostaram todas as suas vidas neste tratamento. Com o passar do tempo, mesmo com a comunidade médica batendo o martelo sobre a ineficácia do tratamento, o presidente e sua turma continuaram apostando alto, a ponto de não ter como recuar.

A segunda grande aposta do presidente Bolsonaro foi na economia, afirmando que a economia não podia parar. Neste aspecto sua aposta não foi totalmente em vão, pois teve uma grande ajuda a OPOSIÇÃO que não aceitou a proposta inicial de R$ 200,00 para o Auxílio Emergencial. Resultado, boa parte da população brasileira que recebia em torno de R$ 150,00 da “Bolsa Família”, passou a receber R$ 1.200,00 fruto do Auxílio Emergencial.

Mesmo com o fracasso no combate direto a pandemia, vimos o presidente Bolsonaro mantendo bons números de aprovação do seu Governo ancorado em bilhões injetado na economia através do Auxílio e de sua bem estruturada rede de comunicação.

A oposição a esquerda do Governo, merece um capítulo a parte, pois desde o resultado das eleições vive uma grande crise interna sem precedentes. Um bom exemplo e que a menos de 2 anos da próxima eleição ainda não tem um nome de peso, e ainda tentam manter acessa a luz de Lula Presidente.

Coube então ao PSDB através do Governador de São Paulo ocupar o grande espaço vazio deixado pela esquerda. Já depois de vários estudos e tendo em vista a elaboração em tempo recordo de vacina para combater a pandemia, o governador João Doria apostou na ciência.

Fez uma aposta também altamente ousada, saindo na frente e firmando parceria com a empresa SINOVAC através do Instituto Butantã. Sem uma rede forte de comunicação o governador de São Paulo foi foco de intenso bombardeio, potencializado pela farmacêutica ser uma empresa CHINESA.

No tabuleiro político ambos tinham gritado TRUCO, ambas com apostas altíssimas. Ao ponto do presidente da república em LIVE dizer nominalmente que a vacina do Instituto Butantã não seria comprada pelo Governo Federal, e em dado momento com a ANVISA pausou os testes do Instituto, o próprio presidente bandou que o Jair tinha ganhado mais uma.

Perdendo o jogo, o governo apostou na vacina da AstraZeneca, em parceria com a FIOCRUZ, colocando novas apostas no tabuleiro. A crise não se foi, como defendido pelo Governo, materializada por um dos seus principais defensores, o médico e Deputado Federal Osmar Terra. Que em entrevista a uma rádio gaúcha, afirmou que o COVID-19 não mataria mais do que a H1N1, que matou menos de 2 mil brasileiros, já ultrapassamos a soma de 200 mil vidas perdidas na pandemia.

Não queremos aqui secundarizar as vidas perdidas, pois solidarizamos plenamente com todas as famílias que perderam parentes, ou que ainda estão lutando pela vida nos hospitais brasileiros. Mas sim levantar o debate das estratégias políticas implementadas por políticos que estarão na disputa presidencial nas eleições 2022.

Neste cenário tivemos 2 grandes movimentos. A aposta econômica do presidente perde seu principal sustentáculo com o fim do auxílio emergencial e a aprovação da ANVISA do uso emergencial da CORONAVAC e da vacina da AstraZeneca .

Sem sombras de DÚVIDAS a aposta do governador de São Paulo João Doria, no final foi a vitoriosa, mesmo com alguns arranhões como a divulgação de maneira equivocada dos números da CORONAVAC, mas acertou em cheio na escolha e no processo da primeira aplicação logo após a ANVISA  aprovar o uso emergencial

NÃO existe política sem fatos, não existe política sem marketing, não existe política sem um planejamento.

 

 

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