As novas regras eleitorais sancionadas no mês passado e as mudanças aprovadas em 2013 devem passar a valer pela primeira vez nas eleições municipais do dia 2 de outubro de 2016.

Os candidatos a prefeito e a vereador serão uma espécie de cobaias dessas medidas, que devem resultar na diminuição de custos e de uma maior valorização de quem elaborou uma estratégia adequada de comunicação para conquistar votos.

A principal mudança, que ainda pode ser derrubada no Congresso, é a proibição de empresas financiarem campanhas. Mas também há outras várias alterações em relação aos últimos anos, como a redução do horário eleitoral gratuito para apenas dez minutos, a diminuição do período de campanha para 45 dias e o fim do uso de cavaletes nas ruas – para a alegria de muitos cidadãos.

As novas mudanças nas regras trouxeram várias medidas positivas e chegam em um momento importante, já que a população não aguenta mais o modelo clássico de campanhas.

O fim dos efeitos especiais, montagens, elementos de computação gráfica, edições e desenhos animados nas propagandas eleitorais são um deles.

“A população está cansada dessa espetacularização dos candidatos, que esconde as verdades. Muitos políticos foram eleitos dessa forma. Para superarmos esse patamar, entendo que foi positivo diminuir o tempo dos programas de TV”.

Sem pirotecnia e firula

A diminuição do tempo de TV reduzirá os custos de campanha e obrigará os candidatos a serem mais diretos na comunicação com os eleitores. Além disso, os debates tendem a ser mais valorizados, por causa da oportunidade do cidadão comparar os perfis dos candidatos.

“É sempre bem-vinda uma maior exposição direta dos concorrentes para mostrar o quanto eles conhecem a realidade da sociedade. Quanto menos firulas, engodo e nariz de pinóquio, melhor. Precisamos procurar a verdade deixando de lado as pirotecnias da TV”, destacou ele, que é jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP).

Para o cientista político, Alcindo Gonçalves, é um avanço tentar fazer política com menos recursos, pois deixa a disputa mais equilibrada. Porém, faz uma ressalva: essa medida tende a favorecer quem está no exercício do mandato e quem tem maior exposição da mídia.

“Concordo plenamente com a redução do tempo de horário eleitoral, mas a limitação do tempo de campanha prejudica a mudança e a renovação. Acredito que a pessoa deveria ter o direito de anunciar de fato que é candidata bem antes da eleição, como acontece nos Estados Unidos”, disse.

Campanha permanente

Na visão do consultor em Marketing Político e diretor da Casa do Marketing, Fabiano Caldeira, há um verdadeiro paradoxo sobre essa questão de assumir a candidatura de fato. Afinal, ele entende que o candidato precisa estar em campanha permanente.

“O fim das doações privadas vai diminuir os custos de campanha, mas vejo que aquele que deixar para estabelecer o seu nicho de voto e seu posicionamento para o período de campanha já sairá perdendo por 3 a 0”.

Apesar da diminuição dos recursos, Caldeira entende que isso não reduzirá o nível técnico do trabalho de comunicação, principalmente por causa da exigência dos eleitores.

“Hoje, a cobrança deles por informações está cada vez maior. As mudanças na forma de passar as mensagens foram significativas. Há cinco anos, não havia WhatsApp, mas hoje todos os deputados federais divulgam suas ações por essa ferramenta”.

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